quarta-feira, 24 de novembro de 2010

mirante - panorama sesc de música 2010



Mirante...

Mirar...Ante os dois, sublime momento.

Ao ouvir Carol Pereyr e Márcio Pazin somos tomados pela sensação de paz, um estado mântrico, romântico. Suas vozes parecem uma só, confundem-se e nos acalmam. Tenho a impressão de recordar velhas cantigas, mas como? Tudo é novo em Pazim e Pereyr, talvez a explicação esteja na saudade de ouvir canções, onde a voz humana é privilegiada, onde a poesia é tocante, onde a simplicidade nos inunda, abarca e abraça.
Enquanto descobrimos suas almas reveladas de forma latente, descobrimos um pouquinho mais de nós mesmos e nossa relação com o mundo. Só uma condição explícita: a desconstrução e remodelagem do ser, onde metades e metáforas nos provocam e acendem.
Serão símbolos de paz e amor, de almas plenas, gêmeas, calmas ao encontro da vida, na busca incondicional da felicidade, bom encontrar-lhes em algum lugar, neste lugar, hoje em Jaraguá do Sul.
obrigado pelo belíssimo show e cd!
marcoliva

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FITO


FITO o objeto.
Programação de primeira. Emocionante, cada ator nos sensibilizando, objetivamente com seu melhor e cercados de tanto bem fazer, nós, simplesmente deliramos. Com tudo, até mesmo com os iguais: com o público.
Parabéns a classe artística que prestigiou intensamente o Festival.
Para mim, não resta dúvidas que o ponto alto do Festival, não relegando os outros tantos atores a um segundo plano, foi o show de Tom Zé, que trouxe além de vários objetos à cena, como o esmerilo e o martelo... A palavra viva, profética, onomatopéica, palavra intrigante, contagiante, palavra contemporânea, palavra aguda, caindo de madura jogada aos quatro ventos, em plena Praça da Cidadania da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
Crítico, despojado, logo na passagem de som, veio bater um papo íntimo com a rapaziada - o show começou antes da hora marcada e sem qualquer mantra, exercício de respiração ou yoga, ele colocou a galera 'em perninhas de índio'. A avidez era recíproca entre o artista e o público, que não se decepcionou.
Ficamos tomados, extasiados, perdemos a noção temporal, fomos abduzidos ao universo Tom Zéniano. Flechados fomos, toda a juventude presente, foi algo que já tínhamos (os mais "velhos") saudade de ver, face o tempo de não irmos tão a fundo.
Do Gênese, dos primórdios da criação até os dias de hoje e o amanhã, Tom Zé canta, Tom Zé grita: - 12 anos, 14 anos... Manifesto contra a prostituição infantil no Brasil, e pede compaixão! Tom dilacera corações, mostra com dor a verdade, o espelho universal de nossa nação, e pede um basta! Ele observa, reclama, brinca, ele pula, ele voa...Faz a gente voar, sacudir, cantar, emocionar.
No dia seguinte, o reclame de que muita gente ficou do lado de fora, tá no ar nas páginas do facebook. Na mesma página, alguém responde, apazigua e garante: -" Estamos preparando o retorno dele. eh eh""
Tom Zé, te esperamos de braços e ouvidos abertos. E o coração? Quente! Circulação em alta, contagiados com sua verve social, musical e poética. Mereces todo o reconhecimento do Brasil e Exterior, todos aqueles, os quais já foram publicados e mereces ainda saber, que aqui - em Florianópolis, és muito amado!
marcoliva

"Todo o existente nasce sem razão, prolonga-se por fraqueza e morre por encontro imprevisto." Jean Paul Sartre

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 24 de maio de 2009

Uso

Uso

o ruído, a porta aberta
um chave e na entrada um sapato
uma roupa seu aroma, um retrato
seu perfume, o peito aperta

não gosto de ser usado
Mesmo que seja por paixão
É estranha a sensação
depois de se acabado

uma roupa, um sapato, um perfume
uma chave, um aparelho, uma máquina
o retrato, o ruído, a porta aberta
o aroma, o número, a casaca

o colírio pra livrar olhos vermelhos
o Etílico pra festejar qualquer faceta
O salicílico para dores de cabeça
Luz apagada para olhar no espelho.

Deveras eu fraquejei

Deveras eu fraquejei
bem sei que sou um poeta
quimeras eu inventei
minha vida ficou repleta

Juntei as dores do mundo
o porre do dia a dia
a alegria, a dor, o medo
a rebeldia

o não entender por completo
o perseguir da resposta
a nota tola que aposta
a realização, o incerto

O assalto, o desafeto
o sempre não que contesta
esta resposta atesta
o embrutecimento e o concreto

por isso desfaleci
inventei, absurdei
bati de frente como o “i”
com o “x” da questão.

Não sou mesmo daqui
Agora entendi
Um pouco morri
Por prestar atenção.

domingo, 28 de dezembro de 2008

sacada


Subitamente imaginei este espaço como um arquivo de sensações, sentimentos, momentos e por um momento senti o desejo de resgatar algumas destas impressões. Prontamente, também,em contrapartida, senti a vontade de postar algo novo, uma nova sensação, um novo momento, um novo bocejo ou expiro...vou, fico e deixo esta impressão.
boa!@

sábado, 13 de dezembro de 2008

súbito sono


estendo as costas num gemido
coloco pescoço abaixo
acima solto um grito
um suspiro
um bocejo
uma pisc