sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Arnou de Melo e Arreio sem Freio - "the show must go on"

Redigir uma impressão sobre cada grupo que se apresenta no Panorama Sesc de Música SC 2010, não é tarefa fácil. Talvez porque tenhamos que discorrer sobre um mesmo assunto e falando de arte, de música - frente a tanta oferta, corro o risco de ser redundante. Não obstante, sigo este meu exercício de forma persistente e prazerosa.

Na noite de ontem, pudemos assistir dois belos espetáculos: Arnou de Melo seguido pelo grupo Arreio sem Freio.
O que mais me impressionou no primeiro show foi a ambiência da sala, o teatro ficou tomado num alinhamento de freqüências sonoras, a ponto de sermos transbordados a um estado de evasão total. O quarteto sobrou em cena, apresentando várias composições deste craque, Arnou. O ponto alto, indubitavelmente é o talento dos músicos que participam da banda. Rapagi! Imaginando como puderam brotar frutos tão viçosos, dou volta no tempo e encontro resposta: o Festival de Música de Itajaí, comprova sua eficácia, pois possibilitou a troca de experiências, de conhecimento entre renomados artistas e ávidos aprendizes, o legado resulta numa nova safra musical surpreendente.
Parabéns Arnou Melo,(contra baixo) Gói (bateria), Tatu (teclados) e Evandro (metais). (Desculpem-me mencionar apenas os apelidos, mas prometo fazer o tema de casa e adicionar os nomes completos.) Amigos, o trabalho está magnífico, apresentando temas da maior sensibilidade e beleza, com improvissos inspiradíssimos, levantando palmas e ovações da platéia, com uma dinâmica impecável. Tacada de mestre! Dá-le Arnou de Melo, tal qual o aforismo, tu és como o vinho. E que sabor!


O segundo show da noite foi do Arreio sem Freio. Que apresentou, ouso profetizar, a nova música catarinense. A contemporaneidade do grupo apresenta a diversidade musical da América Latina como um todo, a começar por sua formação. Paulo Gekas e Andrey da Silva juntaram-se a los hermanos sul americanos Ernesto Quiroga e Eduardo Ferraro, todos residentes em Florianópolis, autores que trouxeram elementos da cultura Andina e Ketchua com flautas e Marimba. A sonoridade diferenciada, aliada a riqueza rítmica nos remetem aos experimentalismos juvenis. ouvir o Arreio sem Freio causa surpresa, ta aí: - os caras inventaram uma música nova. Do baião à Chacarera com elementos de inovação sonora, rítmica e melódica, num belo resultado estético.
Ao Arreio sem Freio, Salvas e que sigam desenfreados pelos palcos do mundo.
"América Latina, latino America de sangue e suor”

E hoje tem mais...acabamos de sair da oficina do Alegre Correa, estava maravilhosa, o resultado uma canção lindíssima, já está gravada. Eh eh
Ah, ontem, de novo a madrugada rendeu canções e poesias até o dia despontar.
É o Panorama.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Orquestra do Conservatório de Música Popular de Itajaí


Mas a cousa tá ficando boa por demais!
O Show da Orquestra do Conservatório de Música Popular de Itajaí, ontem no Panorama Sesc Jaraguá 2010, foi de estremecer. Com balanço e naipes dignos de grandes orquestras e um repertório que mescla músicas do grupo e outras pérolas da música popular brasileira.
A vibração transcendeu os quatro cantos do palco, que diga-se, quase que ficou pequeno. Não me detive a contar quantos elementos, não deu tempo de fazer contas, por outro lado, sobrou tempo de prazer aos ouvintes presentes, momentos belíssimos! O destaque vai para os tantos talentos individuais desta jovem orquestra, que conta com músicos de vasta bagagem musical e jovens artístas.
Quem viu e ouviu o show, poderá ficar perplexo com o tempo de formação do grupo. O maestro Paulo, contou-nos que a mesma fora formada em março deste ano, teve sua estréia em junho e que realizou apenas três ensaios para a participação no panorama 2010. Conferindo-nos um espetáculo perfeito.
O fato de havermos nos apaixonado pela orquestra, e aqui dou-me o direito de representar o público presente, que sem dúvida alguma ficou, assim como eu de queixo caído. Não é de abestalhado, não, diria o manézinho, foi uma sonzeira de lasca! Visse?
Ao sair do Teatro, a maior vontade, o grande desejo que me vinha a cabeça e ao coração, é de que este trabalho possa ser ouvido e apreciado por todo nosso Estado e além destas fronteiras. Qualidade, dedicação, altruísmo, sensibilidade, amizade...Estes são escassos adjetivos para qualificar o grupo. Então dou fim pelo começo, obrigado amigos, o show foi contagiante e estimulador.
A cousa tá ficando boa por demais!!!
ah, agora só pra provocar: - o encontro no hotel até o dia despontar, foi lindo!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

mirante - panorama sesc de música 2010



Mirante...

Mirar...Ante os dois, sublime momento.

Ao ouvir Carol Pereyr e Márcio Pazin somos tomados pela sensação de paz, um estado mântrico, romântico. Suas vozes parecem uma só, confundem-se e nos acalmam. Tenho a impressão de recordar velhas cantigas, mas como? Tudo é novo em Pazim e Pereyr, talvez a explicação esteja na saudade de ouvir canções, onde a voz humana é privilegiada, onde a poesia é tocante, onde a simplicidade nos inunda, abarca e abraça.
Enquanto descobrimos suas almas reveladas de forma latente, descobrimos um pouquinho mais de nós mesmos e nossa relação com o mundo. Só uma condição explícita: a desconstrução e remodelagem do ser, onde metades e metáforas nos provocam e acendem.
Serão símbolos de paz e amor, de almas plenas, gêmeas, calmas ao encontro da vida, na busca incondicional da felicidade, bom encontrar-lhes em algum lugar, neste lugar, hoje em Jaraguá do Sul.
obrigado pelo belíssimo show e cd!
marcoliva

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FITO


FITO o objeto.
Programação de primeira. Emocionante, cada ator nos sensibilizando, objetivamente com seu melhor e cercados de tanto bem fazer, nós, simplesmente deliramos. Com tudo, até mesmo com os iguais: com o público.
Parabéns a classe artística que prestigiou intensamente o Festival.
Para mim, não resta dúvidas que o ponto alto do Festival, não relegando os outros tantos atores a um segundo plano, foi o show de Tom Zé, que trouxe além de vários objetos à cena, como o esmerilo e o martelo... A palavra viva, profética, onomatopéica, palavra intrigante, contagiante, palavra contemporânea, palavra aguda, caindo de madura jogada aos quatro ventos, em plena Praça da Cidadania da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
Crítico, despojado, logo na passagem de som, veio bater um papo íntimo com a rapaziada - o show começou antes da hora marcada e sem qualquer mantra, exercício de respiração ou yoga, ele colocou a galera 'em perninhas de índio'. A avidez era recíproca entre o artista e o público, que não se decepcionou.
Ficamos tomados, extasiados, perdemos a noção temporal, fomos abduzidos ao universo Tom Zéniano. Flechados fomos, toda a juventude presente, foi algo que já tínhamos (os mais "velhos") saudade de ver, face o tempo de não irmos tão a fundo.
Do Gênese, dos primórdios da criação até os dias de hoje e o amanhã, Tom Zé canta, Tom Zé grita: - 12 anos, 14 anos... Manifesto contra a prostituição infantil no Brasil, e pede compaixão! Tom dilacera corações, mostra com dor a verdade, o espelho universal de nossa nação, e pede um basta! Ele observa, reclama, brinca, ele pula, ele voa...Faz a gente voar, sacudir, cantar, emocionar.
No dia seguinte, o reclame de que muita gente ficou do lado de fora, tá no ar nas páginas do facebook. Na mesma página, alguém responde, apazigua e garante: -" Estamos preparando o retorno dele. eh eh""
Tom Zé, te esperamos de braços e ouvidos abertos. E o coração? Quente! Circulação em alta, contagiados com sua verve social, musical e poética. Mereces todo o reconhecimento do Brasil e Exterior, todos aqueles, os quais já foram publicados e mereces ainda saber, que aqui - em Florianópolis, és muito amado!
marcoliva

"Todo o existente nasce sem razão, prolonga-se por fraqueza e morre por encontro imprevisto." Jean Paul Sartre

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 24 de maio de 2009

Uso

Uso

o ruído, a porta aberta
um chave e na entrada um sapato
uma roupa seu aroma, um retrato
seu perfume, o peito aperta

não gosto de ser usado
Mesmo que seja por paixão
É estranha a sensação
depois de se acabado

uma roupa, um sapato, um perfume
uma chave, um aparelho, uma máquina
o retrato, o ruído, a porta aberta
o aroma, o número, a casaca

o colírio pra livrar olhos vermelhos
o Etílico pra festejar qualquer faceta
O salicílico para dores de cabeça
Luz apagada para olhar no espelho.

Deveras eu fraquejei

Deveras eu fraquejei
bem sei que sou um poeta
quimeras eu inventei
minha vida ficou repleta

Juntei as dores do mundo
o porre do dia a dia
a alegria, a dor, o medo
a rebeldia

o não entender por completo
o perseguir da resposta
a nota tola que aposta
a realização, o incerto

O assalto, o desafeto
o sempre não que contesta
esta resposta atesta
o embrutecimento e o concreto

por isso desfaleci
inventei, absurdei
bati de frente como o “i”
com o “x” da questão.

Não sou mesmo daqui
Agora entendi
Um pouco morri
Por prestar atenção.